Advento Tempo de Travessia

O mundo constantemente nos interpela a viver novas experiências. A dinâmica cotidiana dos fatos coloca-nos num estado de espera, mesmo se não sabemos o que esperamos.

Ficamos perplexos diante do que não entendemos, e buscamos justificativas para o tempo, o ritmo, as sensações e as novidades das coisas. Enquanto algumas culturas e povos avançam em discussões e melhorias, outras parecem estagnadas, fundamentadas em “achismos”. Sentimos-nos atordoados com tantas informações que procuram nos convencer de que as mudanças estão sendo processadas há anos luz. De fato, as informações são necessárias, mas precisam, além do ato de lançar “coisas” em nossas mentes, ser comunicativas. A comunicação é sinestesia, envolve toda pessoa e provoca em nós um estado de travessia, de mudança do que somos para construir o novo.

A atitude de escuta das realidades nos convoca à audácia e à generosidade para comunicar o Evangelho, no jeito simples de ser e fazer acontecer naturalmente à vida. Jesus é a Palavra do Pai, totalmente aberta e nova, gestada no Espírito, ela não envelhece; traz em si a delícia da disponibilidade que encanta a nós mesmos, pois em nossos corpos guardamos esta Palavra.

O ano que se encerra, aguarda como a sentinela o ponto da noite em que virá de novo tempos bons de fartura e desenvolvimento para todos os povos e culturas. E debruça-se sob a esperança, vigilante, além das preocupações e crises econômicas, que aparecem para nos assustar, alimentando a não partilha e aumentando em nós o medo de enfrentar o desconhecido. Parece-nos que o mundo está num escuro inventado, ou será que nós mesmos, confundidos, apagamos as luzes?  Quem acenderá a lamparina? Quem restituirá a ternura das relações? Quem incentivará o grito por justiça, pão e liberdade?

O advento nos conduz a não perdemos de vista nosso ponto de partida, pois a chegada não esgota a necessidade de recomeçar o caminhar para responder as indagações que se fazem pertinentes. A luz que desfaz as trevas clareia nossas opções de vida plena e abundante para todos. Aí se desfaz o egoísmo e a prepotência, a ganância e consumismo e as redes de informação transformam- se em redes de comunicação. E o tempo da travessia nos aconchega num gesto antigo e sempre novo o de solidarizar-se conosco para vivermos intensamente o amor entre nós.

Magda Vieira