No último domingo de novembro, dia 25, celebramos a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo. É também o Dia dos Cristãos Leigos e Leigas. Mais do que uma data a ser comemorada, precisamos refletir sobre a urgência de assumirmos nosso papel como cristãos conscientes de nossa missão no Corpo Místico de Cristo, assim como diz São Paulo: "embora sejamos muitos, somos um só corpo em Cristo; e cada membro está a serviço dos outros membros" (Rm 12,5). O fato de não professarmos os votos religiosos ou de não possuirmos o ministério ordenado não nos torna menos responsáveis pelo que acontece na Igreja, em especial nos tempos atuais, da cultura midiática e do mundo globalizado. Aliás, frente à globalização é fundamental a interação dos cristãos leigos e leigas na estrutura religiosa de modo abrangente. A mídia produz valores e comportamentos padronizados segundo uma lógica própria, normalmente voltada aos interesses de mercado. Cabe ao cristão definir seu engajamento midiático-cultural de forma humanitária, voltado ao bem do próximo. A mídia religiosa pode e deve mostrar que a comunicação informatizada e globalizada não precisa ser restrita aos padrões formatados de uma sociedade consumista. Pode apresentar modelos e vivências de valores humanitários. Se a Igreja Católica, comparada a outras igrejas cristãs, retardou sua entrada nestas novas formas de comunicação, isto não a impediu de, rapidamente, assumir seu lugar no competitivo mundo da mídia, tendo um estilo de evangelização de acordo com as tendências contemporâneas. No Concílio Vaticano II, a Igreja Católica reconheceu a necessidade dessa modernização, nem sempre compatível com seu tradicionalismo histórico. Isso possibilitou a presença de novos comunicadores do evangelho, a diversificação dos ministérios, o surgimento de outros espaços de atuação, principalmente na área da comunicação, reconhecendo essa nova geração de "usuários" que , leigos ou religiosos, assumiram a mídia como parte integrante de sua vivência pessoal e cultural. A Igreja está presente nos meios de comunicação, interagindo com uma renovada pregação do evangelho. O processo midiático-religioso faz parte do dia a dia dos cristãos, ultrapassando as fronteiras físico-geográficas da igreja-templo. É importante, porém, ressaltar que o exemplo vivencial continua imprescindível. Não adianta sermos freqüentadores dos serviços religiosos, fiéis ouvintes e espectadores das rádios e TVs católicas, navegadores da internet, leitores assíduos de revistas, jornais e livros cristãos, se nosso modo de vida não está condizente com o evangelho; se não reconhecemos que só Cristo é Caminho, Verdade e Vida. A Lumem Gentium (n. 30) recorda-nos disto. E assinala que nós, leigos e leigas, contribuímos para o bem de toda a Igreja e que o apostolado é a participação na própria missão salvífica da Igreja. Therezinha Siqueira Brito Feres
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