Agosto: mês vocacional
“Rogai ao Senhor da messe que envie trabalhadores para sua colheita” (Mt 9,38; Lc 10,2).
A Igreja do Brasil nos convida a refletir sobre as diversas vocações presentes na comunidade: cristãos leigos e leigas, pessoas de vida consagrada e ministros ordenados.
Todo ser humano é convidado por Deus a desenvolver e viver plenamente sua vocação.
E para isso ele nos enviou seu Filho, Jesus Cristo: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).
Sendo a vocação um dom precioso de Deus, com carinho especial a Igreja Católica nos anima a aprofundarmos a reflexão sobre algumas vocações específicas no mês vocacional.
A cada semana do mês de agosto celebramos os diferentes vocacionados e vocacionadas, caso dos padres, dos pais e das famílias, dos religiosos e das religiosas, dos e das catequistas e dos cristãos leigos e leigas.
Toda nossa vida e vocação se insere num contexto social, cultural e em um dado momento histórico. Somos seres datados no tempo e isto traz certos contornos no desenvolvimento da missão.
Ao fazermos uma breve contextualização de nosso tempo contemporâneo, vamos percebendo as transformações ocorridas ao longo da história de cada vocação, na vida de cada pessoa, da Igreja e do mundo de um modo geral.
Muitos autores vêm refletindo sobre as mudanças de paradigmas nesta época de transformações pela qual estamos passando. O que nos provoca a pensar no modo de como temos vivido nossa vocação específica. Poderíamos aprofundar o estudo sobre este aspecto, mas, neste breve artigo, a meta é abordar o específico de cada uma das vocações celebradas no mês de agosto.
O padre
Também conhecido como presbítero ou sacerdote, padre quer dizer pai, pastor. Desenvolve um papel importante na Igreja, sendo um continuador da missão de Cristo no exercício autêntico de seu ministério. É chamado por Deus para cuidar com dedicação e zelo do rebanho a ele confiado.
Vivendo intimamente unido a Deus pela oração, castidade, obediência e fé, o padre se transforma num portador poderoso da Palavra, capaz de transformar a vida pessoal e social das pessoas, de acordo com a vontade do Pai. Pela unção, o padre se identifica a Cristo, é chamado do meio do povo, configurado a Cristo pelo sacramento da Ordem. Tem a missão de anunciar o evangelho, de realizar os sacramentos em nome de Cristo, de educar na fé (pela sua paternidade espiritual), de animar e coordenar os diversos ministérios e pastorais necessários para que a comunidade viva e desenvolva a fé cristã, servindo sempre com amor o povo em suas necessidades. Esta missão do padre torna-se ainda importante frente à realidade tão desafiadora na qual vivemos.
Os pais e as famílias
Na sociedade a história da família não se constitui de forma linear. Ela é uma história cíclica, que se transforma continuamente com o passar dos tempos. Há vários modelos de família que se desfizeram, se transformaram ao longo da história. No ocidente ainda vigora o modelo burguês-nuclear, que por muitos anos foi aceito e válido como o ideal de família. No entanto, atualmente, com as mudanças de paradigmas, este modelo está também se transformando.
A família é a célula viva, é o centro e o lugar onde Deus quis morar, fazendo-se Verbo Encarnado. É o começo, ou seja, onde se inicia a educação cristã, a vivência dos valores evangélicos, da solidariedade, cidadania, respeito, amor. Valores que aos poucos estão se perdendo.
Neste momento histórico temos a missão de resgatar este espaço sagrado para que não morra a utopia e o ideal cristão. Numa sociedade onde quase tudo é provisório e descartável, pai e mãe são desafiados a nadar contra a correnteza para ensinar que vale a pena viver os valores cristãos referentes à família.
O papel do pai e da mãe, hoje, é de serem protagonistas, para resgatarem o valor da relação, da convivência, amizade, partilha, oração, fé e esperança. É de ser “porto seguro”, ou seja, referencial para um mundo sem referências.
Nunca se precisou tanto de pessoas comprometidas, que sejam sal da terra e luz do mundo. Neste alvorecer de uma nova época, onde os costumes e as famílias estão desagregando-se, é fundamental mostrarmos que há alternativa, que há um modo de ser pessoa integrada, pelo valor da oração, pelo bem estar comum. Por isso vale a pena lutar e sonhar com um futuro melhor para as nossas famílias.
A vida consagrada
A missão da vida religiosa consagrada torna-se cada vez mais difícil e desafiadora no mundo contemporâneo, principalmente frente ao momento em que vivemos, da chamada “era planetária”, de mudanças de paradigmas. É um tempo em que ganha contorno a realidade líquida, fluída, adaptável às diversas circunstâncias, onde os valores vem e vão com muita rapidez. A ética, a cidadania, a solidariedade, a antropoética não são consideradas pelo atual sistema globalizado. Por isso, viver os valores evangélicos torna-se cada vez mais urgente.
A vida religiosa consagrada é chamada a ser sinal escatológico do Reino no mundo do poder, do capital, do hedonismo, na contemporaneidade.
Ser catequista
Os catequistas são transmissores da Palavra de Deus com a própria vida. São pessoas que procuram, de fato, vivenciá-la no dia a dia. Seu testemunho é fundamental. A prática da catequese na Igreja nos remete aos primeiros cristãos, que têm a sua origem no próprio Jesus, o primeiro e o maior catequista da história.
Não poderíamos deixar de citar o que sabiamente diz o Diretório Geral para a Catequese:
“A vocação do leigo à catequese tem origem no sacramento do Batismo e se fortalece pela Confirmação, sacramentos mediante os quais ele participa do ministério sacerdotal, profético e real de Cristo. Além da vocação comum ao apostolado, alguns leigos sentem-se chamados interiormente por Deus a assumirem a tarefa de catequistas. [...] Este chamado pessoal de Jesus Cristo e a relação com ele são o verdadeiro motor da ação do catequista. É deste conhecimento amoroso de Cristo que jorra o desejo de anunciá-lo, de evangelizar, e de levar outros ao ‘sim’ da fé em Jesus Cristo” (n. 231).
Os cristãos leigos e leigas
Na contemporaneidade, mais do que nunca, as pessoas precisam de referencial, identificar-se com algo que lhes afirme o sentido de sua existência. A missão dos cristãos leigos e leigas é justamente vivenciar o evangelho, levar a boa nova a todos, principalmente onde a Igreja institucional não alcança, onde os ministros ordenados não chegam e junto às pessoas que não passam perto dos templos.
Cabe aos cristãos leigos e leigas procurar responder aos anseios das pessoas que estão junto ao seu convívio, seja no ambiente do trabalho, no ambiente familiar, entre outros. É importante que dêem seu testemunho aos que não conhecem a Palavra ou que foram batizados e agora estão desiludidos, famintos e sedentos de Deus e, às vezes, justamente por essa procura, caminham numa estrada confusa.
Os cristãos leigos e leigas têm a responsabilidade de anunciar o evangelho, fundamentado na vivência dos valores cristãos através do testemunho, respondendo às grandes interrogações e angústias do ser humano de hoje.
Ir. Patrícia Monteiro, FDZ
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